domingo, 27 de setembro de 2009

A Filha de Jairo (Ila Lins Alcântara)

Três barcas navegavam
De Sudoeste para Noroeste
Indo pra Cafarnaum.
A novidade correu
E no ancoradouro
O povo que aguardava o mestre
Ia se aproximando um a um.

Soube também da feliz notícia
um homem chamado Jairo
Príncipe da sinagoga,
Inteligente, letrado,
Que passara toda a noite acordado,
Ao pé do leito da filha.

Ao romper da madrugada,
Uma síncope.
A esposa de Jairo angustiada,
Usando o recurso que havia,
Friccionou os pulsos da filha
Com penetrante perfume
Chegando até as narinas.

A menina abriu os olhos.
Mas aquilo durou pouco,
Logo o alarme recomeça,
E de repente,
A temperatura foi baixando progressivamente
A febre é sinal de luta, de vida
A algidez, no entanto,
É como o arvorar da bandeira branca
Pedindo um pouco de paz
E quando o organismo já não quer mais combater
Chegando ao seu final.
Precisa dessa silenciosa paz marmórea
Se entregando à rendição incondicional.

Os que amam o enfermo
Preferem vê-lo sofrer
Pois enquanto ouvem os gemidos
Resta ainda a esperança de continuar a viver.
Porém, quando o doente já não mais se agita
Parado, silencioso como a entrar nos arcanos
De taciturno repouso
Por toda a casa
É possível ver dilui-se qualquer coisa de imponderável
Que todos sentem sem dizer.

Jairo leu todos os livros
Que falam dos mistérios da vida.
Mas, todos os livros do mundo,
São incapazes de impedir
Que Jairo chore,
Incapazes de fazê-lo forte,
De compreender os segredos do amor
E os segredos da morte.
E o sábio Jairo sabe apenas que se ama
E que se morre
E que ninguém é suficientemente forte
E que se ao transmitir a vida,
Transmite-se também a morte.

Entrega-se a expansão de sua desdita.
Quando alguém, um empregado talvez,
Sussurra ao seu ouvido uma notícia,
Mas não uma notícia qualquer.
Está em Cafarnaum Jesus de Nazaré.
Jairo pensa alguns instantes,
Depois sai correndo
Porque os príncipes da sinagoga
Estão tramando com os magistrados de Antipas
Contra o Rabi.
E ele passa na casa dos principais da cidade
Implorando pelo mestre, chamando-o de rei.
Deixem-no! Eu me responsabilizarei!

E em sua estranha lucidez,
Ei-lo agora aos pés do mestre a implorar:
Senhor, vem a minha casa
E cura minha filha que está morrendo,
É ainda tão pequena
Tem doze anos apenas,
É a flor da minha vida,
Vem Senhor!
E Jesus põe-se a caminho
Levado por aquele homem
De expressão tão dolorosa
Rompendo a massa popular
Que se comprime pesada e rumorosa

Mas, a alguns passos além
Alguém vem ao encontro de Jairo
Pra dizer: Não incomodes mais o mestre
Tua filha acaba de morrer.
Jairo baqueia estarrecido,
Descompassa o coração
Violenta tontura lhe escurece a vista
Levando-o chão.
Mas Jesus o olha com amor
Falando com ternura
Fazendo-o se erguer
Não temas! Tua filha será salva, apenas crê.

Na casa de Jairo o desespero total.
O choro, os preparativos para o funeral.
Jesus deixa a multidão na rua.
E agora ali diante daquela menina
Toda vestida de branco, deitada.
A face de marfim de rosas brancas ornada.
E num gesto divinal
Segura-lhe a mão fria, enrijecida,
Clamando em alta voz,
Transmitindo a ela a centelha da vida
Ergue-te menina!
E ela se levanta maravilhosamente linda,
Com muito mais beleza e muito mais saúde ainda.
Jesus manda que a alimente
E contempla feliz a alegria dos seus pais.

Alegria, felicidade e paz
Encontrarão em Jesus de Nazaré
Todos que invocando o seu nome
O chamarem com fé.

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segunda-feira, 14 de setembro de 2009

O Carpinteiro de Nazaré (Ila Lins Alcântara)

José observa atento
E de forma angustiante
A transformação de Maria
Em seu labutar constante.
Movendo-se pela cozinha,
Ou trazendo na cabeça
O seu cântaro de água
Ao regressar da fonte.

O seu corpo está se avolumando.
E a flacidez que lhe desmancha as linhas,
O deixa ainda mais amargurado
A interromper seu trabalho
Terrivelmente cismado.
Que fazer? Abandoná-la?
Lançar-lhe em rosto o seu pecado?
Deixando enfim às chacotas
Aquele voto sagrado?

Ou ficar e assumir a criança
Que estava pra nascer?
Uma enorme angústia o torturava.
E ao final do quarto mês,
José já não podia trabalhar
As encomendas em atraso,
Clientes a reclamar,
Sem atenção nem diligência,
Até mesmo o sono
Não consegue conciliar.

E aquele que é a luz
Para toda inocência caluniada,
O consolo para quem a justiça lhe faltar,
O príncipe da paz
O autor da salvação
O salvador eterno,
Já experimenta a injustiça
Ainda no ventre materno.

Que neste natal
Não fiquemos a cismar
Nem contender,
Nem planejando fugir.
Mas possamos entender
O recado verdadeiro
Do nosso anjo Gabriel.
E a cantar e a sorrir,
No mundo inteiro introduzir
A luz que emana do céu.


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O Bondoso Pai (Ila Lins Alcântara)

Havia um homem muito rico
Um honrado fazendeiro
De muitas propriedades
E grande soma em dinheiro.
Porém, vivia muito sozinho
Tinha apenas um filhinho
Que era o seu companheiro.

Vivia ele e o menino
Com dois ou mais empregados
Tinham mais alguns criados
Que os ajudavam em tudo.
A mãe daquele menino
Desde os cinco anos seus
Já havia sido levada
Pra morar junto de Deus.

Entendiam-se muito bem
O pai com o seu filho amado
Que muito o respeitava
Tudo que ele gostava
O filho compartilhava
Os dois gostavam de artes
E às vezes viajavam juntos
Para comprar quadros fabulosos.
Van Gogh, Pablo Picasso
E outros artistas famosos.

Mas tudo um dia tem fim
E é ilusório nessa terra
E aquele filho cresceu
E foi convocado pra guerra.
Foi uma tristeza muito grande,
Tudo perdeu o sentido.
E aquele filho querido
Despediu-se do seu pai
Com o coração partido.

Ficou ele então sozinho,
Já não havia mais alegria
Os dias iam passando
Uma notícia não tinha.
Em total desalento
Foi perdendo a saúde,
A vontade de viver,
Definhando a cada dia,
Pensando só em morrer.

Um dia já bem cansado
Farto de tanto sofrer
Pediu a um empregado
Que levasse enfim para dar
Uma pequena volta
Em seu já belo jardim.
Depois ficou ali assentado
Sentindo a brisa do mar,
Quando viu que chagava um homem
Em seu portão a chamar.

Era um homem elegante
Educado cidadão
Com jeito de oficial
E uma encomenda na mão.
Aqui estão os pertences do seu filho, cidadão.
Trago-lhe uma informação
Numa missão que me doe,
Machuca meu coração.
Seu filho é um herói,
Morreu lutando,
Honrando sua nação.

E aquele homem arrasado
Ali, paralisado não ousava levantar os olhos
Pra encarar o capitão.
Contemplando só as lágrimas
Que caiam pelo chão.
Amargurado, infeliz,
Ele não suporta mais
Cada dia mais doente,
Debilitado, incapaz.

Os dias iam passando
Sem nenhuma alegria
Quase não se alimentava
Um viver angustiante
Quando chega a seu portão
Outro moço elegante.
Na mocidade que exibia
Tinha mais ou menos a idade
Que o seu filho teria.

Trazia nas mãos um pacote
Embrulhado pra presente
Que a ele ofereceu:
Senhor, esse presente é seu!
É o retrato do seu filho,
E quem o pintou fui eu.
É a minha gratidão
Por tudo o que aconteceu.
Para que eu não morresse,
Seu filho morreu em meu lugar
Foi ele quem me defendeu.

Era muito sofrimento
Para aquele homem debilitado.
Já lhe faltavam as forças
Estava prestes a morrer.
Chamou seu advogado
Pra algumas coisas resolver.
Levou-o até o escritório,
Deu-lhe algumas instruções:
O que fazer com o seu dinheiro.
Tomou todas as decisões.

Partiu naquela mesma tarde,
Na calma de um passarinho
Estava tudo acabado
Já não estava mais sozinho.
Houve muito choro e comoção.
Ele fora um bom homem
E pelo bom coração
Foi sepultado com o respeito
De toda a população.

Passado o período do luto
Acalmadas as emoções.
O advogado anunciou
Com grande divulgação
O leilão de todas as peças
Que estavam em exposição.

Foi aquele alvoroço
Veio gente de todo lugar
Todos queriam ao menos
Uma peça arrematar.
Quando enfim chegou a hora
Para o leilão começar.

Bateu-se então o martelo
Para o lance inicial.
O leiloeiro trouxe a peça.
Era um retrato afinal.
Todos falaram em coro:
Isso aí não tem valor!
É um retrato mal pintado,
Nem se sabe quem pintou.

Queremos obras de arte,
Estamos aqui pra isso!
Mais o leiloeiro insistia
Com o retrato na mão.
Cinco reais, quem dá mais?
Nem uma oferta.
Só revolta e confusão.
Foi quando o jardineiro
Que trabalhava na mansão
Deu um lance um pouquinho a mais,
Disse: Eu quero!
Mas só tenho dez reais.

Bateu-se então o martelo.
E tudo silenciou.
Foi grande o burburinho
Todos de uma só vez a falar
Enfim todos esperavam
O leilão recomeçar.

Mas o leiloeiro anunciou
Em alta voz para todos:
Muitas atenção meus ouvintes,
Eu tenho uma informação.
Muito obrigado a todos,
Está encerrado o leilão!

O burburinho aumentou
Ninguém queria aceitar,
Mas veio o advogado
Com o documento na mão
E começou a falar.

Foi a vontade expressa
Do dono da exposição
Que fosse mesmo essa peça
Do pintor desconhecido
E que alguns não vale nada
Que fosse arrematada
Hoje aqui nesse leilão.
Quem arrematasse essa peça,
De bom grado e coração
Seria também o dono
De toda a exposição,
De toda a sua riqueza,
Inclusive essa mansão.


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Casa de Pedra (Ila Lins Alcântara)

Era uma casa de pedra,
Sem luxo, sem riqueza,
Sem ornamento qualquer
Lá na encosta de um outeiro
Da pequena Nazaré.
À oeste, as montanhas do Carmelo,
A Samária, o mar,
O poço de Jacó,
As campinas da Galiléia
E a casa de José.

E pelo aspecto popular
De sua indumentária,
Gente simples.
Gente humilde das regiões
De Samária.
A brisa lírica, suave,
Os declives de Sicar,
Tudo em perfeita harmonia
Como que prenunciando
Uma nova de alegria
Uma alegria sem par.

No mobiliário tosco
Uma mesa que o tempo enegrecera.
Alguns bancos de madeira,
Um pesado armário talvez
Lá nos fundos da oficina
Não tinha sala.
Eram apenas dois quartos
E uma pequena cozinha.

Mas, ali na humildade
Naquela simplicidade
Havia algo em comum.
Dois seres se amavam
Mutuamente se ajudavam
Cada um em seu labor
Mas serviam e adoravam
Ao mesmo Deus criador.

Maria fiava ou tecia
Sentada junto à janela
E José em seu ofício
De honrado carpinteiro,
Durante toda a semana
De plaina na mão e enxó,
Trabalhava o dia inteiro
Lutando de sol a sol
Pra que à esposa querida
Nada pudesse faltar
Gestante, já quase em seu dia,
A qualquer hora nasceria
O rebento de Maria
Que viria nos salvar.

Que essa família tão linda
Que tão bons exemplos nos dá
Exemplo de harmonia, de união,
De ajuda mútua no lar,
Exemplo de adoração,
Simplicidade, alegria,
Possa ser sempre o espelho
Dessa nova geração.
Que o luxo, a riqueza
E toda essa ilusão
Não ofusquem a memória
Não encham de tanta glória
Nosso frágil coração.

Que possamos sempre lembrar
Do mais verdadeiro amor,
Não teve um rico palácio
Em hotéis não se hospedou
Nem mesmo a casa de pedra
Foi dada ao salvador.
José morava lá
Com sua esposa Maria
Mas o príncipe da paz
O autor da salvação
Nasceu numa estrebaria.


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A Cura de Um Leproso (Ila Lins Alcântara)

Só existe o passado para aqueles que se separam dele.
A continuidade da ação atualiza os dias pretérios, difundindo-os no momento que passa transformando tudo o que foi, no agora e tudo o que se viveu, continua nítido na memória como se ainda estivesse acontecendo.
Quando se corta a corrente emotiva dos fatos e das impressões, o passado então começa a existir.
Todos aqueles que deixaram de fazer o que faziam, experimentam essa dor. É uma dor que valoriza os pormenores olvidados e descobre a poesia das coisas que desapareceram ao longe, na indecisão do horizonte, na poeira dos caminhos.
Era assim que eu, coberto de lepra, me sentia até encontrar-me com Jesus. Toda a minha vida passada era então relembrada e cada momento vivido mesmo aqueles que não foram bons, tinham agora um valor inestimável. Era como um filme a passar em minha mente me transportando às mais remotas recordações.
A dor do físico e da alma se confundiam. A solidão me atormentava, melhor seria que o meu cérebro paralisasse para não trazer à lembrança tudo o que eu já havia vivido. Forçosamente abandonado, cobrindo-me de trapos para esconder a pele tão feia. A febre a provocar delírios, a insônia enchendo-me de agitação.
A baixa estima, o orgulho ferido como se no meu peito não batesse um coração.
Em vão alguns livros me instruíram sobre a perversidade dos homens e as desgraças inseparáveis da humanidade, meu coração recusava-se acreditar neles. Imaginava sempre a companhia de amigos sinceros e virtuosos; esposos que combinavam e que a saúde, a mocidade reunidas cumulavam de venturas. Parecia me vê-los vagando juntos entre arvoredos mais viridentes e mais frescos que aqueles cuja sombra me acolhia, iluminados por um sol mais radioso do que que aquele que me iluminava e sua sorte parecia-me tanto mais digna de inveja quanto mais miserável a minha ia se tornando.
Na primavera, quando o vento soprava sobre o vale, sentia-me penetrado por seu calor vivificante e estremecia involuntariamente. Assaltava-me um desejo inexplicável e o sentimento confuso de uma felicidade imensa que eu poderia desfrutar mas que me era recusada. Fugia então de minha cela, vagueava pelas campinas para respirar mais livremente. Procurava não ser visto por aqueles mesmos homens que meu coração desejava encontrar. No alto da colina oculto entre as urzes como um animal feroz, meus olhares convergiam-se para a cidade. Via de longe e com olhos de inveja. Seus felizes habitantes que mal me conheciam.
Estendia-lhes as mãos gemendo e pedindo-lhes meu quinhão de felicidade e em meu desespero estreitava em meus braços as árvores da floresta, pedindo a Deus que as animasse para mim como se fossem meus amigos. Mas as árvores continuavam mudas, sua fria casca me repelia e nada tinham em comum com o meu coração que palpitava. Prostrado pela fatiga, cansado de viver, arrastava-me de volta ao meu refúgio expondo a Deus os meus tormentos. Só Ele fazia retornar um pouco de conforto a minha alma. O único laço que me prendia ao restante dos humanos era um cãozinho que havia muitos anos se dedicava a mim. Devido sem duvida a sua feialdade fora escurraçado por todos, magro, mau-tratado, escolhera para o seu refúgio a minha habitação. Era com certeza o meu maior tesouro. Agradecia a Deus por conceder-me aquele amigo. Mas fui acometido de mais um desgosto apesar do cuidado que eu tinha, o cãozinho às vezes fugia e os habitantes da cidade alarmavam-se com medo que ele pudesse transmitir o germe da minha enfermidade. Então, foram a minha casa para o executarem e o fizeram em minha frente. Impossível descrever aquela dor.
Era essa a minha situação até encontrar-me com Jesus. Um dia, sentado sobre uma pedra refletindo sobre a minha triste sorte, avistei lá longe, próximo as duas bétulas que terminavam a cerca uma grande multidão seguindo um jovem. Levantei-me e agucei os olhos e percebi: era Jesus de Nazaré, de quem já havia ouvido falar. Enchi-me de esperança, de uma alegria jamais sentida e a despeito de tudo fui ao seu encontro gritando com toda a força que me era possível e prostrado de joelhos clamei: Mestre tem misericórdia de mim. Tenho ouvido falar dos teus milagres e sei que se quiseres podes purificar-me. E Jesus tomado de compaixão tocou em mim e disse: Quero, fica limpo! E naquela mesma hora toda a lepra desapareceu.
Tornei-me o homem mais feliz de toda a terra. Voltei para o seio da minha família, abracei os meus amigos e posso lhes dizer com toda a certeza. Seja qual for o seu problema, a sua enfermidade, só Jesus Cristo tem a solução. Amém.


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A Autoridade de Jesus (Ila Lins Alcântara)

Na cidade de Cafarnaum
Num dia quente de verão,
Exausto, viajado, com os pés empoeirados
De sua longa missão,
Ia Jesus entrando
Seguido da multidão.

E em meio a toda aquela gente
Eis que um homem de repente
Um rico centurião,
Se apresenta humildemente
Pedindo proteção.
Senhor! Senhor!
O meu servo jaz em casa
E eu não tenho solução.
Paralítico, de cama, sofrendo,
Tem compaixão!

Também sou homem de autoridade
Tenho escravos, soldados,
E eles me obedecerão.
Mas a tua autoridade,
Excede toda autoridade
De um pobre centurião.
Eu sei que não sou digno
De entrares em minha casa
Por causa dos meus pecados
Mas apenas tua ordem
Uma palavra Senhor
E o meu servo será curado.

E Jesus de Nazaré
Ali perplexo, admirado
Afirmou maravilhado!
Que nem mesmo em Israel
Encontrou tamanha fé.
E erguendo as suas mãos
Num gesto de amor, compaixão,
Tranqüiliza aquele homem
Falando com afeição.
Vai. E seja tudo conforme a fé
Que está no teu coração.

E naquela mesma hora,
Foi curado aquele jovem
O servo do centurião.
A autoridade de Jesus
Não ficou presa ao passado.
Não foi só para os leprosos,
Paralíticos, endemoniados,
E o servo do centurião.
Mas continua em nossos dias
Será hoje e eternamente
De geração em geração.

Dessa pobre humanidade
Seja qual for a enfermidade
E o peso de sua cruz,
Só a serenidade de Jesus
Que acalma vento, tempestade,
Transforma as trevas em luz.
Ele controla tudo
Silencioso, sutil,
Nem mesmo o mar resistiu
A autoridade de Jesus.

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A Samaritana (Ila Lins Alcântara)

Ela nasceu em Sicar.
Numa montanhosa região
Situada entre o mar e o rio Jordão.
Uma cidadezinha, encravada
Entre duas elevações, geográfica natural.
Ao sul, o monte Geresim.
E ao norte, o monte Ebal.

Já perto da cidade,
Às margens da estrada
Que vai para a Galiléia,
Sombreado entre os arbustos
Estava o poço de Jacó.
E em meio a tudo
Que ali acontecia,
Algo estava diferente,
Havia um homem assentado
Com a roupa empoeirada
E o semblante cansado.

E pela sua aparência,
Ela logo percebeu
Que aquele homem estranho,
Assentado á beira do poço,
Era um judeu.
Havia uma velha richa
Entre judeus e samaritanos
Sobre o templo de Jerusalém.
Uma enorme confusão.
Parece que Zorobabel
Os excluíra da reconstrução,
E por isso ela não o cumprimentou.
E ficou surpresa ao perceber
Que aquele homem
Quebrou o silêncio
E lhe pediu água pra beber.

Mas, a sua reação foi de indelicadeza.
E numa atitude insana respondeu:
Como se dirige a mim judeu,
Não vê que sou samaritana?
Mas ele insistiu com tanta habilidade
Que aquela mulher de repente
Sentiu-se tranqüila e completamente à vontade.

Falava de uma certa água viva,
Que lhe mataria a sede para sempre
E falava com calma e precisão
Sobre aquela verdade
Com muita firmeza
E completa autoridade.
Mas aquela mulher
Cujos sentimentos humanos arraigados
Não compreendeu o imenso valor
Do que estava sendo outorgado.

E na mais completa ignorância
Da índole materialista,
Só consegue pensar
Em matar a sede física.
Encheria o seu cântaro
Com a água ofertada por aquele moço.
E se não acabaria,
Nunca mais pagaria
A água daquele poço.

E aquele homem
De roupa empoeirada
E sandálias nos pés,
Olha para ela e começa a ordenar:
Vai chama o teu marido e vem cá.
E ela como que envergonhada
Respondeu: não tenho marido.
Disseste bem, disse o moço.
Pois já tiveste cinco
E o que agora tens na verdade não é teu.

Foi então que ela percebeu
Que aquele homem judeu, que não a conhecia,
De alguma forma sabia
Tudo que lhe aconteceu.
E mais envergonhada ainda
Dos procedimentos seus,
Sentiu que estava diante
Do autêntico filho de Deus.

Ela não pode mais contemplar
O brilho daquela luz
E vai correndo anunciar
Por toda aquela província
O encontro que tivera
Com o mestre amado Jesus.

Que possamos compreender
O verdadeiro significado
Dessa água que sacia a sede do coração.
E não apenas beber,
Mas a outros oferecer
Essa água que dá vida,
Que como um rio corrente
Num caudaloso turbilhão,
Nos conduz veemente
A eterna salvação.

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