Sem luxo, sem riqueza,
Sem ornamento qualquer
Lá na encosta de um outeiro
Da pequena Nazaré.
À oeste, as montanhas do Carmelo,
A Samária, o mar,
O poço de Jacó,
As campinas da Galiléia
E a casa de José.
E pelo aspecto popular
De sua indumentária,
Gente simples.
Gente humilde das regiões
De Samária.
A brisa lírica, suave,
Os declives de Sicar,
Tudo em perfeita harmonia
Como que prenunciando
Uma nova de alegria
Uma alegria sem par.
No mobiliário tosco
Uma mesa que o tempo enegrecera.
Alguns bancos de madeira,
Um pesado armário talvez
Lá nos fundos da oficina
Não tinha sala.
Eram apenas dois quartos
E uma pequena cozinha.
Mas, ali na humildade
Naquela simplicidade
Havia algo em comum.
Dois seres se amavam
Mutuamente se ajudavam
Cada um em seu labor
Mas serviam e adoravam
Ao mesmo Deus criador.
Maria fiava ou tecia
Sentada junto à janela
E José em seu ofício
De honrado carpinteiro,
Durante toda a semana
De plaina na mão e enxó,
Trabalhava o dia inteiro
Lutando de sol a sol
Pra que à esposa querida
Nada pudesse faltar
Gestante, já quase em seu dia,
A qualquer hora nasceria
O rebento de Maria
Que viria nos salvar.
Que essa família tão linda
Que tão bons exemplos nos dá
Exemplo de harmonia, de união,
De ajuda mútua no lar,
Exemplo de adoração,
Simplicidade, alegria,
Possa ser sempre o espelho
Dessa nova geração.
Que o luxo, a riqueza
E toda essa ilusão
Não ofusquem a memória
Não encham de tanta glória
Nosso frágil coração.
Que possamos sempre lembrar
Do mais verdadeiro amor,
Não teve um rico palácio
Em hotéis não se hospedou
Nem mesmo a casa de pedra
Foi dada ao salvador.
José morava lá
Com sua esposa Maria
Mas o príncipe da paz
O autor da salvação
Nasceu numa estrebaria.
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