Numa montanhosa região
Situada entre o mar e o rio Jordão.
Uma cidadezinha, encravada
Entre duas elevações, geográfica natural.
Ao sul, o monte Geresim.
E ao norte, o monte Ebal.
Já perto da cidade,
Às margens da estrada
Que vai para a Galiléia,
Sombreado entre os arbustos
Estava o poço de Jacó.
E em meio a tudo
Que ali acontecia,
Algo estava diferente,
Havia um homem assentado
Com a roupa empoeirada
E o semblante cansado.
E pela sua aparência,
Ela logo percebeu
Que aquele homem estranho,
Assentado á beira do poço,
Era um judeu.
Havia uma velha richa
Entre judeus e samaritanos
Sobre o templo de Jerusalém.
Uma enorme confusão.
Parece que Zorobabel
Os excluíra da reconstrução,
E por isso ela não o cumprimentou.
E ficou surpresa ao perceber
Que aquele homem
Quebrou o silêncio
E lhe pediu água pra beber.
Mas, a sua reação foi de indelicadeza.
E numa atitude insana respondeu:
Como se dirige a mim judeu,
Não vê que sou samaritana?
Mas ele insistiu com tanta habilidade
Que aquela mulher de repente
Sentiu-se tranqüila e completamente à vontade.
Falava de uma certa água viva,
Que lhe mataria a sede para sempre
E falava com calma e precisão
Sobre aquela verdade
Com muita firmeza
E completa autoridade.
Mas aquela mulher
Cujos sentimentos humanos arraigados
Não compreendeu o imenso valor
Do que estava sendo outorgado.
E na mais completa ignorância
Da índole materialista,
Só consegue pensar
Em matar a sede física.
Encheria o seu cântaro
Com a água ofertada por aquele moço.
E se não acabaria,
Nunca mais pagaria
A água daquele poço.
E aquele homem
De roupa empoeirada
E sandálias nos pés,
Olha para ela e começa a ordenar:
Vai chama o teu marido e vem cá.
E ela como que envergonhada
Respondeu: não tenho marido.
Disseste bem, disse o moço.
Pois já tiveste cinco
E o que agora tens na verdade não é teu.
Foi então que ela percebeu
Que aquele homem judeu, que não a conhecia,
De alguma forma sabia
Tudo que lhe aconteceu.
E mais envergonhada ainda
Dos procedimentos seus,
Sentiu que estava diante
Do autêntico filho de Deus.
Ela não pode mais contemplar
O brilho daquela luz
E vai correndo anunciar
Por toda aquela província
O encontro que tivera
Com o mestre amado Jesus.
Que possamos compreender
O verdadeiro significado
Dessa água que sacia a sede do coração.
E não apenas beber,
Mas a outros oferecer
Essa água que dá vida,
Que como um rio corrente
Num caudaloso turbilhão,
Nos conduz veemente
A eterna salvação.
A Samaritana by Ila Lins Alcântara is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil License.
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