E de forma angustiante
A transformação de Maria
Em seu labutar constante.
Movendo-se pela cozinha,
Ou trazendo na cabeça
O seu cântaro de água
Ao regressar da fonte.
O seu corpo está se avolumando.
E a flacidez que lhe desmancha as linhas,
O deixa ainda mais amargurado
A interromper seu trabalho
Terrivelmente cismado.
Que fazer? Abandoná-la?
Lançar-lhe em rosto o seu pecado?
Deixando enfim às chacotas
Aquele voto sagrado?
Ou ficar e assumir a criança
Que estava pra nascer?
Uma enorme angústia o torturava.
E ao final do quarto mês,
José já não podia trabalhar
As encomendas em atraso,
Clientes a reclamar,
Sem atenção nem diligência,
Até mesmo o sono
Não consegue conciliar.
E aquele que é a luz
Para toda inocência caluniada,
O consolo para quem a justiça lhe faltar,
O príncipe da paz
O autor da salvação
O salvador eterno,
Já experimenta a injustiça
Ainda no ventre materno.
Que neste natal
Não fiquemos a cismar
Nem contender,
Nem planejando fugir.
Mas possamos entender
O recado verdadeiro
Do nosso anjo Gabriel.
E a cantar e a sorrir,
No mundo inteiro introduzir
A luz que emana do céu.
O Carpinteiro de Nazaré by Ila Lins Alcântara is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil License.
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